domingo, 22 de março de 2015

Geração M

Observando as manifestações que vêm ocorrendo no Brasil nos últimos dois anos, o comportamento das pessoas nas redes sociais, o noticiário, a vida cotidiana e, principalmente, meus próprios pensamentos e sentimentos, cheguei à conclusão de que nem X, nem Y, na verdade, somos a  Geração M, de mimados.

A triste verdade é que não sabemos perder. Não aceitamos a derrota em hipótese alguma. Pior, não admitimos não estar certos. Fazemos parte de uma geração que quer ter razão o tempo todo, contra tudo e contra todos. E se alguém ousa afirmar que estamos errados, nos jogamos no chão e esperneamos até que alguém diga: “tudo bem, se acalme, não ligue para esse idiota que está discordando de você. Fique tranqüilo bebê, você está certo, como sempre”.


Ao contrário do que se poderia pensar, esse comportamento não está restrito às redes sociais, apesar desse ser um terreno fértil onde o mimo cresce e se desenvolve a olhos vistos. Na verdade, podemos observar esse fenômeno na vida real, ao nosso redor. 

Podemos vê-lo quando um playboy gasta 10 mil reais num camarote de balada, apenas para se sentir o centro das atenções. Da mesma forma, um garoto de periferia que coloca uma arma na cabeça desse playboy para roubar seu iphone, está demonstrando que é capaz de qualquer coisa para satisfazer sua ânsia de consumo. Ambos são egoístas que se utilizam do que têm à mão para satisfazer suas necessidades narcisistas. O dinheiro e a arma são apenas os meios para se atingir o fim, que é a satisfação do desejo pessoal.

O militante de esquerda que veste uma camiseta “impitimam é meu zovo” é tão irracional quanto o velhinho reacionário que carrega a faixa com os dizeres “intervenção militar já”. Ambos querem impor aos outros sua própria verdade, sua versão do que seria a solução para todos os problemas brasileiros. Nenhum dos dois está preocupado em desenvolver um verdadeiro debate e se dispor a ouvir antes de atacar. Suas verdades não admitem contestação.

Da mesma maneira, quando milhares de pessoas saem às ruas para reclamar de um aumento de vinte centavos na passagem de ônibus e pior, para exigir passe livre no transporte público, estamos diante de um belo exemplo de mimo. O que não é nem um pouco diferente de quem quer destituir do poder a presidente, porque seu candidato saiu derrotado na eleição. Em ambos os casos impera a idéia segundo a qual o sistema precisa se dobrar à vontade e às necessidades individuais. É a criança se jogando no chão do mercado para que a mãe compre um brinquedo novo.

Não estou dizendo com isso que não devemos lutar por aquilo que acreditamos. Muito pelo contrário. O ser humano é movido sempre pela busca de seus objetivos, sejam eles individuais ou coletivos. O que não quer dizer que devemos nos comportar como cães raivosos quando nos deparamos com a frustração e a derrota. Porque se existe algo de inevitável, além da morte, é o fato de que não vamos vencer sempre. Não triunfaremos em todas as discussões, não seremos sempre o centro das atenções, não teremos todos os nossos desejos satisfeitos.
E isso é ótimo. Porque é na adversidade que crescemos. Admitir o erro e absorver o fracasso é o caminho para aprender e evoluir.

Nossa geração precisa de um choque de realidade. Precisa entender que o mundo não se dobra à nossa vontade e que devemos lutar pelo ideal, mas que o que atingiremos será sempre o real. Por isso a busca nunca termina. Porque o ideal é inalcançável, mas é ele que nos mantém em movimento.

Chega de ficar esperneando no chão do mercado. Vamos limpar essa lágrima de contrariedade com as costas da mão e encarar o “não” da mamãe de cabeça erguida. Se queremos realmente o brinquedo, o jeito é apresentar um boletim recheado de notas 10. Só assim ela não vai ter como negar e nós saberemos que fomos recompensados pelo nosso esforço e não há sensação mais gratificante do que essa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário